FESTA DE SANTANA: UMA TRADIÇÃO DE FÉ COM COMEMORAÇÃO EM VÁRIAS DATAS

Origem da Festa de Santana

A história da Festa de Santana é uma narrativa rica e fascinante, que se inicia com a construção de uma pequena capela na Fazenda Santana dos Olhos d’Água, em Feira de Santana, na Bahia. Essa capela foi erguida pelo casal Domingos Barbosa de Araújo e Ana Bandoa, e simbolizava o início das celebrações que honrariam a Senhora Santana, padroeira do município. A festa, que começou de forma modesta, gradualmente foi crescendo e se transformou em um dos maiores eventos religiosos da região nordeste do Brasil.

A primeira versão da festa remonta ao século XIX, mas a sua formalização se deu apenas em meados do século XX. Desde seu início, a festa tinha como foco principal a celebração religiosa, mas ao longo dos anos, foi incorporando diversas tradições culturais, refletindo o desenvolvimento da própria cidade. A capela original, com o passar do tempo, foi substituída pela imponente Catedral de Senhora Santana, que hoje serve como o coração das festividades e um ponto de encontro para os devotos.

Datas de Comemoração ao Longo dos Anos

O calendário da festa de Senhora Santana não foi sempre o mesmo, refletindo as mudanças do clima e as necessidades dos fiéis. Inicialmente, a festa era realizada entre os meses de julho e agosto, mas devido à ocorrência de chuvas intensas, precisou ser remarcada para setembro em algumas ocasiões. Em 1913, para atrair um maior número de devotos que estavam se afastando devido ao clima hostil, a festa foi transferida para janeiro, quando o sol era mais convidativo.

Festa de Santana

Com o passar do tempo, a festa passou a ser fixada oficialmente em 26 de julho, um dia que inclui uma série de celebrações, como o novenário e a procissão, que atraem milhares de participantes. Essa data não apenas simboliza a devoção ao culto de Senhora Santana, mas também representa uma tradição coletiva, onde as comunidades se reúnem para celebrar a fé, a cultura e a identidade local. A escolha do dia 26 de julho como data oficial fortaleceu o vínculo da população com a festa, garantindo sua continuidade ao longo dos anos.

A Importância da Padroeira para os Fiéis

Senhora Santana, mãe de Nossa Senhora, é uma figura central no catolicismo e um símbolo de proteção e intercessão para muitos fiéis. A padroeira é venerada por praticamente toda a população de Feira de Santana e a festa em sua homenagem representa uma oportunidade de reafirmar a fé e a gratidão. Para os devotos, a celebração não é apenas um evento religioso, mas também um momento de união e reflexão, onde relembram e agradecem as bênçãos recebidas.

Além disso, a figura de Senhora Santana serve como um símbolo de resistência e perseverança para a comunidade. Ao longo dos séculos, a festa construiu uma identidade coletiva, onde os valores da religiosidade e da cultura popular se entrelaçam. A importância da padroeira vai além da esfera espiritual; ela representa, para muitos, as tradições e a herança cultural de um povo que, apesar das dificuldades, permanece firme em sua fé e nas suas tradições.

Eventos Religiosos e Tradicionais

A Festa de Senhora Santana é marcada por uma rica programação que vai muito além dos atos litúrgicos. Os eventos religiosos incluem missas especiais, novenas que ocorrem nos dias que antecedem o dia principal da festa, e a famosa procissão, que mobiliza toda a cidade e é um verdadeiro espetáculo de fé e devoção. Durante os dias de festividade, a Catedral de Senhora Santana se enche de turistas e devotos, todos assistindo a eventos que celebram não apenas a religiosidade, mas também a cultura local.

A festa também é marcada pela tradição da “lavagem da igreja” e da “levagem da lenha”, que são eventos populares que carregam simbologias profundas. Essas atividades refletem a manifestação da fé popular e a conexão dos fiéis com suas raízes. Enquanto a lavagem simboliza a purificação e a renovação espiritual, a levagem da lenha, que um dia teve um caráter prático, hoje remete à memória de tempos em que a energia elétrica não era uma realidade, tornando-se um rito simbólico e nostálgico.

A Lavagem da Igreja: Um Ritual Significativo

Um dos momentos mais esperados da Festa de Senhora Santana é a lavagem da igreja, um ritual que envolve uma grande participação popular. Essa tradição remonta aos primórdios da festa e era, originalmente, realizada por mulheres vestidas com trajes típicos, as chamadas “baianas”. Elas utilizavam água perfumada para lavar a frente da igreja, simbolizando a purificação do espaço sagrado e a preparação para as celebrações que se seguiriam.

Esse ato é uma manifestação não apenas de fé, mas também de cultura e identidade. As baianas, com seus trajes vibrantes e passos em sincronia, trazem um tom festivo e de alegria ao evento. Além disso, a lavagem da igreja serve como um lembrete da importância da casa de Deus na vida dos fiéis, sendo um espaço onde a comunidade se une e renova sua fé a cada ano. O ritual é acompanhado por música e dança, transformando o evento em um verdadeiro espetáculo cultural que encanta tanto devotos quanto visitantes.



A Levagem da Lenha: História e Simbolismo

A levagem da lenha é outra tradição emblemática da festa, que, embora tenha perdido sua função prática com a instalação da energia elétrica na cidade, mantém-se como um ato simbólico de homenagem à história local. Originariamente, a lenha era utilizada para acender fogueiras, que iluminavam as festividades e proporcionavam calor em um período em que as noites eram mais frias.

Atualmente, a levagem da lenha é celebrada como um ritual de memória, relembrando os tempos passados e a forma como a comunidade se organizava para celebrar. Durante a festa, um grupo de pessoas se reúne para realizar essa levagem, que é acompanhada por cantos e danças, imbuindo o ato de um caráter festivo e comunitário. Embora a função original tenha mudado, a levagem da lenha simboliza a continuidade das tradições e a união do povo em torno de sua história e identidade cultural.

A Procissão de Senhora Santana

A procissão de Senhora Santana é o ponto culminante das celebrações, um evento que atrai milhares de fiéis e turistas todos os anos. Realizada no dia 26 de julho, a procissão começa na Catedral de Senhora Santana e percorre as principais ruas da cidade. Durante o trajeto, as pessoas se reúnem para celebrar, cantar e rezar, criando um ambiente de fervor religioso e alegria.

Os devotos costumam portar velas e flores, em um espetáculo visual que transcende a esfera do religioso, tornando-se uma verdadeira manifestação cultural. É um momento que reforça o senso de pertencimento da comunidade, onde todos se unem em torno de um mesmo ideal, não apenas de devoção à padroeira, mas também de celebração da identidade feirense.

O retorno à Catedral é marcado por um evento solene, onde o vigário faz a oração final e concede a bênção do Santíssimo Sacramento. Essa parte da cerimônia é um momento de reflexão, onde os fiéis renovam sua fé e fazem pedidos e agradecimentos a Senhora Santana, aprofundando ainda mais os laços espirituais que mantêm com a padroeira.

Festa de Santana na Atualidade

A Festa de Santana, ao longo dos anos, vem se modernizando, mas sempre mantendo suas tradições culturais e religiosas. A programação atual mistura eventos religiosos com apresentações culturais, feiras de artesanato, shows e encontros musicais que envolvem artistas locais e nacionais. Essa diversidade de atividades faz com que a festa atenda a diferentes públicos, atraindo não apenas os devotos, mas também turistas de diversas partes do Brasil e do mundo.

A festa se transforma em uma grande celebração da identidade feirense, onde a religiosidade se encontra com a cultura popular. As barracas que se espalham ao redor da Catedral oferecem comidas típicas, artesanatos e produtos locais, proporcionando um espaço de interação entre os visitantes e a cultura da cidade. Essa mistura de fé e folclore não apenas preserva as tradições, mas também as reinventa, criando novas formas de expressar a devoção e a cultura local.

Aspectos Culturais e Atrações da Festa

Além dos aspectos religiosos, a Festa de Santana é rica em cultura e entretenimento. Durante a festividade, é comum ver apresentações de grupos folclóricos, danças típicas e até concertos de filarmônicas locais. A programação é diversificada e planejada de forma a incluir diferentes gêneros musicais e expressões artísticas, potencializando a riqueza cultural da festa.

Os parques de diversões que são montados nas proximidades da Catedral atraem famílias, oferecendo atrações para crianças e adultos. As barracas de doces e comidas típicas também são uma parte importante da festança, convidando todos a experimentar as delícias da culinária baiana, como acarajé, beijinho, e outras iguarias. Esses aspectos culturais tornam a festa um espaço de celebração, encontro e alegria, reforçando as trocas sociais e a convivência da comunidade.

Como Participar e Vivenciar a Festa

Para aqueles que desejam participar da Festa de Senhora Santana, a experiência começa muito antes do dia 26 de julho. O envolvimento nas preparações, como a lavagem da igreja e a levagem da lenha, é um passo importante para sentir a conexão com a tradição. Para os visitantes, é recomendável chegar com antecedência para participar das atividades que antecedem a festa principal, conhecendo assim um pouco mais sobre a rotina e as tradições locais.

No dia da festa, é importante vestir-se de maneira confortável, já que a procissão pode envolver longos trajetos a pé. Levar água e, se possível, um pequeno altar com flores e velas para a bênção é uma maneira de se integrar ainda mais ao ambiente festivo. A interação com outras pessoas, sejam elas moradores ou turistas, também faz parte da experiência, criando um senso de comunidade e acolhimento que é característico da festa.

Participar da Festa de Senhora Santana é mais do que uma simples atividade religiosa; é uma oportunidade de imersão na cultura e na história de Feira de Santana. Cada momento oferece uma chance de aprendizado e reflexão sobre a fé, a identidade comunitária e a força das tradições culturais que continuam a ser transmitidas de geração em geração.



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